drakemberg

A visão longinqua daquela muralha, que corre de norte para sul ao longo da Africa austral,e à  qual nunca cheguei.ficou-me a recordação.assemelha-se,À  escarpa da chela,Angola,que tem a seus pés o deserto da namibia, que contempla, há¡ milhões de anos numa estenção de cerca de 150 kilometros.

sexta-feira, outubro 07, 2016

42 anos é muito tempo

Luto há 42 anos para ser ressarcido do que perdi! O governo português é surdo e mudo. Até quando meu Deus.

quarta-feira, maio 18, 2016

A luta continua e a vitória é certa

É curioso como Passados 40 anos as pessoas que de cá nunca saíram ainda estão de carranca afivelada e continuam a chamarem todo o tipo de nomes aos desgraçado. Nós que fomos para lá trabalhar como os nossos compatriotas que foram para Alemanha, França, Canadá etc etc. Esses são glorificados dizem-no as entidades deste país quando a eles se dirigem. São bons trabalhadores respeitadores das leis desses países etc. Mas há uma casta de portugueses talvez degenerados por alguma doença genética da raça Lusitana! Por falar nisso viva a Lusitânia. São os chamados retornados os malandros que andaram a explorar os pretos a rouba-los? Em 24 anos de presença no território pelo natal quando queria mandar para meu pai míseros 500 escudo sempre o Fundo Cambial de Angola indeferia o pedido! Desisti! Como acabei de explicar muito mas muito resumidamente! Ora se eu fui ladrão dos naturais nos 24 anos de presença no território. Que terá de se dizer de Portugal como Nação que por lá andou 500 anos. Eu simplesmente fui um guardião do teu querido império Portugal, para que os portugueses que de cá nunca saíram vivessem à fartazana e pagam-nos nesta moeda tenham dó. Querem exemplos? Do império viram especiarias de toda a ordem, madeiras caríssimas ao preço da chuva; Sândalo pau-ferro mussibe café Robusta e Arábica durante centenas de anos de Minérios nem me arrisco a enumera-los dado a quantidade e variedade até chegar ao topo, diamantes, e ouro o Banco de Portugal abarrotava com 1200 T no 25 cá dele. E para terminar a história de Portugal foi ao Império buscar o brilho, Vejam só que Don João V com tanta riqueza montou uma embaixada a Roma que escandalizou a Europa do Luízes e quejandos, dada a exiguidade do nosso território. Vocês ainda são mais ingénuos quando é o nosso herói nacional Luiz de Camões que o enaltece, tenham dó, meus compatriotas. E dou-vos um conselho. Utilizem aquilo que a Democracia vos dá tão generosamente que é o vosso direito de cidadania e lutem para que em Portugal do Abril que tanto amais não haja nenhum cidadão descriminado nem roubado de seus bens sejam quais forem as razões e ainda muito menos do Império pois apesar de todos os erros que evocais deixamos obra valorosa. Nunca nenhum colonizador fez semelhante diversidade em território alheio ao seu. Foi Portugal que levou para as colónias a Mandioca o milho consumidos fortemente pelos Índios da Amazónia Essa planta alimenta actualmente grande Parte de África eu próprio a consumo regularmente. Deixamos lá a língua portuguesa para que todos se compreendam do Rio-Congo ao Cunene. Achais que merecemos o Vº escarneo e desprezo mas estais enganados Vós é que andais enganados desde o PREC, e parece que gostais pois os retornados serviram desde essa altura para justificar todas as asneiras destes 40 anos.

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Uma viragem para a actualidade



              Se estiveste na África portuguesa, que é feiro de ti? Apelo àqueles que foram trabalhadores por conta de outrem, como eu os da Diáspora. Ora se eu vim de lá com uma mão atrás e outra à frente, e até hoje nicles! Olha para, o que fazem os lesados do BES! Ora tu tens mais de milhentas razões, e vais ficar quedo. Nunca é tarde! junta-te a mim e já seremos dois. Bruxelas será o nosso destino! Reivindica e serás atendido. Se a montanha não veio a ti vai tu à montanha. E fixa-te nisto? A luta continua, e a vitória é Certa. Sim eu sei! Já passaram 40 anos. Mas repara: a Alemanha 70 anos depois ainda disponibiliza verbas do seu Orçamento de Estado para os judeus que lesou. A História de uma nação leva gerações, para ser escrita! Tu que estás ainda vivo, queres que a escrevam com essa injustiça nela implantada? Meu amigo nestes 40 anos viste algum jornal português acenar esse estandarte! Alguma Televisão dissertar sobre isso?

segunda-feira, agosto 03, 2015

O paradoxo

sábado, maio 02, 2015

ria formosa durante um cafézinho.wmv

quinta-feira, novembro 20, 2014

Eu eo Império Colonial Português

quarta-feira, novembro 19, 2014

Eu e o Império Colonial Português


          Quando em mil novecentos e quarenta e nove, Começaram a soprar as brisas dos ventos da história, o Líder da revolução cultural na China alertou o mundo para a profecia que ditou! Levantem-se, povos oprimidos de todo o mundo contra o domínio colonial. Dizia ele, a China acordou do seu sono letárgico de milhares de anos e com isso uma onda de libertação varrerá todo o planeta. E foi verdade! Uma onda de libertação varreu toda a África, América Latina, do Sul Asia etc. Durante este tempo Portugal não só se manteve alheio às mudanças como acirrou o seu poder em todo o seu império colonial. Uma das medidas do Dr. Salazar para mim infelizmente a mais garbosa aliciou as famílias numerosas e pobres a mandarem para lá os filhos o estado pagava as passagens e lá chegados de imediato abandonados à sua sorte. Eu o oitavo e meu irmão o sétimo lá fomos parar eu com apenas dezoito anos. Arranjei emprego numa casa representante para a África dos carros Chevrolet Pontiac Cadilac etc. Mas vendia todo o tipo de mercadoria desde tratores allis-chalmersa a medicamentos, passando por motas BSA, bicicletas BSA e máquinas de costura Sigma. Ganhava cinquenta escudos só dias úteis, não havia subsídio de férias, natal, ou mesmo férias nada 50# limpinhos. Morava na Vila Clotilde junto à Liga Nacional Africana ao café do Carvalho e ao GD da vila Clotilde davam lá boas cowoiadas. O itinerário de e para lá era feito a pé quatro vezes por dia o que dava 20 Quilómetros por dia. Mas também foi nesse junho de 1954 que dei início ao período mais feliz da minha vida apesar de quase nem ganhar para comer. Se leste e gostaste voltarei

segunda-feira, março 03, 2014

Transição do precolonial para o pósindependência

sábado, abril 06, 2013

Moçâmedes: registos e factos: O farol da Ponta Albina albergava um hóspede de peso

Moçâmedes: registos e factos: O farol da Ponta Albina albergava um hóspede de peso

terça-feira, setembro 25, 2012

BRAVOS "RETORNADOS", ESPOLIADOS, DESLOCADOS...: Espoliados do Ultramar acusam: «Os políticos andam a trair-nos desde 1975»

BRAVOS "RETORNADOS", ESPOLIADOS, DESLOCADOS...: Espoliados do Ultramar acusam: «Os políticos andam a trair-nos desde 1975»

domingo, maio 20, 2012

Ebook saca

drakemberg:

A Joia da Coroa de Portugal

A Serra de AIRE por Horisonte

quinta-feira, dezembro 15, 2011

drakemberg:

As Belas Nativas

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quinta-feira, julho 16, 2009

O Pinto e eu a cada um seu contratempo

Vou aqui narrar como a vida de uma pessoa pode ficar em suspenso por minutos. Fins de Setembro de 1975. A escasso mês e meio da independência de Angola. Tinha saído do serviço da cervejeira onde trabalhava do turno das OOHO5 ás 13HOO! O Prado Pain cidadão angolano, indivíduo culto, bem mais do que eu, pois tinha o curso dos liceus dirigiu-se-me! Em conversas abertas com ele sabia que, o Pinto da LAL, como era conhecido em toda Luanda, se tinha ido embora para Portugal.A casa dele estava agora abandonada e com as chaves na porta na rua das Beiras nº 72. Em conversas anteriores ele me demandara se ele deixara lá alguma estante? Ao que eu lhe respondera que tinha estante e das boas e até tinha umas colecções de livros, demandou-me se lha queria vender? Respondi-lhe; Pain aquilo não é meu é do primeiro angolano que tomar conta da casa por isso por mim, podes lá ir buscar a estante quando quiseres e o que quiseres anui! Naquela situação eu ficara como que uma espécie de procurador.Pediu-me para ir com ele ao que eu acedi. E lá nos metemos no carro dele pusemo-nos a caminho. Logo que desembocámos na rua de Francisco Newton começamos a descer a via até á passagem de nível duzentos metros abaixo. Aqui o Pain me pôs uma questão? Questão essa, fora dos meus hábitos pelo à vontade com que, ainda circulava por Luanda, prudente mas à vontade. A pergunta resumia-se ao seguinte: Soares quer ir pela Avenida do Brasil, ou por aqui pela estação do Musseque! A pergunta para mim era óbvia. Pela avenida do Brasil deviam de ser uns oito quilómetros, por aqui pelo lado do bairro Precol talvez nem um quilómetro.A pergunta para ele fazia todo o sentido pois naquela data já nenhum branco se aventurava por ali!Ele me pusera a pergunta, por uma questão de segurança para mim. Eu por uma questão de lhe dar a entender que com ele não temia o que, era suposto temer,já que, a zona do rangel naquela área, estava em polvorosa. Pain vamos por aqui que é mais perto e contigo não tenho nada a temer. Ele percebeu o alcance psicológico do que eu dizia e lá seguimos. Logo que, chegámos á entrada do bairro, bem junto ao largo de terra batida da estação do Musseque recatada visualmente, uma patrulha fortemente armada e postada á entrada do bairro. O Pain só me disse em surdina Soares calma, eu olhei para ele; o rapaz era dum tom preto retinto, do tipo Cabinda mas tinha ganho nuances de quem tinha entrado em pânico. Num branco nestes casos é a palidez cadavérica que de si toma rosto, quando a patrulha nos mandou parar e pelo tom de voz do cubano, notei de imediato um gelo a percorrer-me toda a extensão espinha dorsal, sinal seguro de que também tinha entrado em pânico. O caso não era para menos, pois o soldado cubano que me interpelara, parecia uma árvore de natal, tal era a profusão de artefactos bélicos que, de cima abaixo o enfeitava. O ar quente do clima sentia-o agora gelado e o coração me batia com pancadas fortes e secas e ligeiramente acelerado, sentia-o nas têmporas. Devia estar branco como a cal. O soldado cubano, pois já eram eles que faziam o controle; em tom muito violento disse sai do carro imediatamente, filho da puta saí! À saída de Cuba para Angola deviam vir mentalizados que iam lidar com criaturas terríficas, Com a mesma violência verbal carregou: mãos em cima da cabeça, ao que anui de imediato, ainda tentei aquele lance do V da vitoria com os dedos acompanhado de um olá camarada que, usei com êxito muitas vezes mas agora jogavam-se já cartadas definitivas, onde eu já não tinha lugar, e nem era visto nem lembrado. notei pois que desta vez não resultou. O cubano devia de estar há dias em Angola, pois estava em marcha uma ponte aérea de Havana Para Luanda, ainda tentei falar, mandou-me calar de imediato, acto continuo Levantou o pé direito para trás como se estivesse para marcar um penalty futebolístico e fazia arremessos com o pé para a frente como se me fosse pontapear, isto para mim durou uma eternidade pois o gesto era acompanhado por estas palavras estás a olhar assim para mim seu filho da puta, ainda pronunciei mas já sem esperança nenhuma, O camarada Lopo do Nascimento, fiquei-me por ali pois o tom violento era a constante. Estava pois suspenso do destino! Quase que não ouvi o Paín que em pânico dizia ao cubano: camarada não faz mal ao homem ouviste onde está o comandante da patrulha quero falar com ele, o cubano indagou quem és tu, o Paín returcou sou o camarada Prado Paín da delegação do Marçal,do MPLA! O cubano anuiu; começou ali uma lenga lenga em Kimbundo entre o Pain e comandante da patrulha que se tinha aproximado. Estes segundos me pareceram horas, meu cérebro voou para além do tempo via-me já na Dona Amália de onde não mais sairia, ou dali para a praça de touros onde seria executado. Era o que se constava em Luanda desde Junho de 1975. Instalou-se uma acalmia, o ambiente estava de cortar á faca dezenas e dezenas de miúdos e graúdos preenchiam o vasto largo da estação olhavam para mim eu era o centro era como se estivessem á espera de alguma ordem. Eu que conhecia bem a convulsão que estava em marcha, sabia que se fosse alvo de um murro ou coisa assim era o fim. Fazia lembrar aqueles filmes de cowboys quando o artista preso ao pau no meio da aldeia espera o escalpe dos índios. Mas felizmente nada disso aconteceu. O cubano voltou á carga mas para indagar como é que eu conhecia o camarada Lopo do Nascimento, respondi que era da Empresa de cerveja onde ele era um alto quadro superior, foi assim que eu falei,e ainda juntei que era um subalterno dele, Falou para além, talvez para o comandante da patrulha. Segundos volvidos me disse desta vez já apaziguador, pronto camarada descontrai que está tudo bem. A sensação que senti seria a mesma que um balão de ar quando picado, e senti toda aquela energia negativa que se tinha apoderado de mim a volver em forma de tranquilidade e sossego, ainda disse coisitas sem nexo. O cubano disse podem seguir camaradas! Eu e o Pain entrámos no carro neste momento um nervosismo tomara conta do Pain, pois o carro não pegara, eu só lhe dissera de surdina embora Pain então! O carro não pegou á primeira nem á segunda vez, pareciam horas mas lá pegou mal á terceira vez, até deu raters, mas enfim lá começou a andar no meu íntimo ainda esperei pela rajada de metralhadora! Caso acontecesse não era uma situação virgem, mas Deus passara por ali naquele momento. Chegados á rua das Beiras o Pain viu tudo, indagou-me se eu não queria dinheiro ao que respondi; Pain se quiser levar tudo pode levar. Diz que me ia pôr na Alameda e que ia a casa e depois mais tarde lá ia buscar buscar as coisas. No dia seguinte na empresa em conversa sobre o assunto comigo, ainda me disse Soares eu fiquei com mais medo do que tu! Então porquê Pain? Eu tremia quando eles disseram para abrir a mala do carro e começaram a revistar tudo, mas esse medo não residia no meu carro, mas sim quando ele começou a abrir o teu saco, já viste se calhas a ter lá propaganda política da FNLA ou da UNITA. Paín o Soares não guarda dessas coisas; ainda bem senão você e eu não saiamos vivos dali.
Esta foi a última vez, não mais meti o pé na argola.

quarta-feira, julho 15, 2009

Ao Pinto ainda lhe estava esta reservada

Tanto ao Pinto como a mim ainda estava reservada a última cena da peça. O Pinto, foi uma semana ou duas depois de se desembaraçar daquele último episódio,e já altas horas da noite estava sendo contactado em casa pelo camarada Xavier. Eu conhecia-o bem, pois também trabalhei nos SMAE com eles o Xavier era desenhador e o Pinto encarregado da zona norte de Luanda da rede de água. Era sob este parâmetro que, o Xavier ia solicitar a colaboração do Pinto. Era o Pinto profundo conhecedor de todas as válvulas de segurança da rede. O Xavier era um alto quadro do MPLA e naquela altura estava em marcha a expulsão definitiva da FNLA de Luanda, mas havia um senão... o ultimo efectivo ainda numeroso de homens, tinha-se refugiado dentro da Fortaleza de S.Julião da Barra, depois de muitos dias de combates e bombardeamentos, daqui não saio, daqui ninguém me tira, esqueceram-se todavia que, o camarada Xavier era um homem muito esperto e acima de tudo muito inteligente, pois neste imbróglio que lhes estava montado a missão do Pinto era tão só fechar a válvula de água que abastecia o local. Andou naquilo até altas horas da madrugada e isto sob intenso tiroteio. Trouxeram-no a casa de madrugada depois do serviço executado. Quando á noite depois de chegar da Nocal local onde trabalhava, falei para ele! O Pinto não me respondeu votei á carga a mesma coisa o homem tinha os olhos posto num ponto algures no espaço e não discernia mais nada a não ser isso o que quer que fosse. O homem estava naquilo que normalmente se chama em transe mas porquê? vinte e quatro horas depois começou a balbuciar uns monólogos, tenho que me ir embora,dizia ele, e repetia isto vezes sem conta. Meteu-se-lhe na cabeça que o Xavier o andava a espiar. Quarenta e oito horas depois estava a embarcar para Portugal nunca mais voltando a pisar solo de Angola, terra onde nascera. Praticamente ainda não tinha chegado a Portugal, e já os pretos do FNLA estavam abandonando a fortaleza com bandeiras brancas resultando o facto do Pinto ter cortado a água que abastecia a fortaleza e como sabes naquele clima a falta de água é mortal. Renderam-se todos! Parece-me no entanto que, o futuro exercito de Angola os absorveu todos. O terror que o Pinto sentia depois da operação, deve-se ao facto de o Xavier ser um alto quadro que exercia já o alto cargo de comandante da DIZA polícia secreta. Por isso os medos do Pinto embora pudessem ser imaginários, tinham à época uma forte razão de ser reais. Foi pena! Pois este serviço prestado ao MPLA e para mais naquela altura em que estava em marcha a supremacia como força política dominante e única, pelo que na outorga da administração do território por parte de Portugal era evidente que o poder seria entregue ao movimento dominante e o MPLA era-o efectivamente. Era a altura em que o Pinto poderia colher os louros, Não já nos moldes anteriores, mas mesmo assim louros.

domingo, fevereiro 15, 2009

1975 o ano do meu descalabro

O ano de mil novecentos e setenta e cinco começara. A sensação que eu tinha era que ia ser o ano de todas as decisões. Não me via a ter de abandonar a terra que, há vinte e três anos me acolhia e onde sempre vivera em harmonia com os naturais. Fizera lá vários amigos, e conhecidos tambem. O Gabriel que trabalhava comigo na Casa Americana. O guitarrista do grupo musical estrela Canora. O velho Mateus o prazer que ele tinha em dar-me kikuanga que eu comia na presensa dele, trazida de propósito de casa para mim. O António Ernesto Pedro, o Batista João,o Antunes, o Pedro Panzo. Eram meus conhecidos o Senhor Lopo do Nascimento, e O Prado Paím. Este vou descrevê-lo mais á frente pois fiquei a dever-lhe a vida. Era meu conhecido tambem quando jovem o Senhor Eduardo Nascimento, há época era tal como eu um jovem e o vocalista dos blackstar, da musica que eles tocavam era eu um fã inco0ndicional. Não levou muito tempo que os jornais de Angola, a Provincia de Angola e o Diário de Luanda, publicassem a notícia duma conferência, que, se ia realizar no Algarve Portugal, e na localidade Alvor. Era a mesma conferência de alto nivel, pois estariam presentes; os altos dignatários e representantes de todo o povo de Angola. Não iam discutir e aceitar de ânimo leve aquilo que lhe impusessem, mas sim exigirem aquilo que eles reivindicavam havia já muito. Não sei especificar desde quando! Mas sei que quando cheguei a Angola em mil novecentos e cincoenta e dois e logo que me adaptei aos usos e costumes comecei como eles a interessar-me com assunto da mesma envolvência. Assim como meu pai corria para o rádio de ondas curtas e nos arrastava com ele para ouvir a rádio Moscovo ou rádio Checoslóvaquia, tambem eu corria ás sete e trinta minutos para dito mas agora para ouvir rádio Brazaville. Esta ao contrário daquelas tinha o condão de, depois das notícias dar um curso de françês, curso esse que me prendeu a atenção durante muito tempo. Quase aprendi françês! O curso se chamava; (il etait une fois). Era nesses noticiários que eu sabia tudo sobre a luta deles. E mais tarde tudo o que se passava em Angola. O partido que mais se engajou nessa luta, foi o MPLA. Diziam que havia outra emissão, tambem em português esta a partir de Leopoldeville agora Kinchasa, mas a mim por acaso, nunca me despertou interesse e por isso nunca a sintonozei. Esta conferência, no tempo, se realizou em meados de janeiro desse ano.Os acordos foram assinados. Neles, ficou decidido que Angola atingiria a sua independência, nesse ano, e no mês de Novembro, onze era o dia. Os partidos logo começaram a chegar a Luanda, e a instalarem-se nas sedes, Luanda viu-se inundada de soldados das várias formações políticas em confronto. Estava em funções o Governo de Transição. Cada movimento, nomearia no período da sua vigência, um primeiro-ministro na rotatividade acordada. Por Portugal, fora nomeado um Alto-comissário. Com este acordo assinado, começaram a chegar centenas de soldados dos vários movimentos a Luanda a maioria nem lá teriam nascido. A prezensa dos portugueses começou a tornar-se como que impessoal. Por esta altura, já muitos portugueses fugiam daquilo que, parecia ser já, inevitável. A situação em Luanda começou a ficar complicada; muito complicada mesmo! Comecei a perceber que, se me acontecesse qualquer coisa a mim, ou a alguém da minha família, já a ninguém, ou a nenhuma entidade poderia recorrer, passei a sentir-me estranho, numa terra em que há tantos anos vivia e onde deixara já a minha juventude. Neste período de tempo habituei-me a viver com a charlatanice e a mentira. Aquele general português que não outro senão um tal Costa Gomes,foi a Angola e que, solenemente tentou apaziguar os portugueses, e lhes disse aquilo que moralmente não devia ter dito, prometendo-lhe aquilo que sabia ser incumprível, mentindo-lhes grosseiramente. Com o correr do tempo em direcção á independência, todos os portugueses que, lá iam ficando tiveram que fazer uma espécie de curso intensíssimo de aprendizagem em distinguir instantaneamente, quando, nos locais em que eles faziam o controlo de pessoas e viaturas, em reconhecer de imediato se; devia tratar o dito soldado por camarada, ou irmão, um erro, poderia ser fatal! E foi-o em muitos casos. Mas eu, sabia distinguir esse pormenor com muita precisão e facilidade. Embora eu gostasse muito da terra, e até me estivesse a adaptar razoavelmente bem a estas novas circunstâncias: uma coisa, e só uma, me toldava o espírito e me punha fortemente abalado, eram os filhos e a mãe deles! Muitas vezes de noite a altas horas da madrugada, pelo barulho que faziam, vinha dar com eles de janela do quarto aberta, apreciando e comentando um com o outro, o percurso das balas tracejantes e as suas cores, muitas vezes o seu espectro tracejante corria no sentido da casa. Por isso o perigo de bala perdida era óbvio e punha-lhe as vidas em perigo. Eu sabia disso e repreendia-os. Aqueles tracejados eram o sinal evidente que para os europeus a hecatombe estava em marcha. Sempre que o pensamento, se tentava aí fixar logo fazia tudo para o desviar. Havia sinais evidentes que o curso que o processo tomava lhes não era de facto favorável. Esta visão dos factos, mais se crstalizou quando no princípio de mil novecentos e setenta e cinco, num assalto á delegação da Facção do Leste de Daniel Chipenda a mesma foi pulverizada pelo MPLA desaparecendo do mapa das forças políticas em Angola, pondo o homem em fuga para o Congo Kinchasa nunca mais se falando dele em Angola pelo menos enquanto lá estive. Ficaram como espólio dezenas de mortos, ficava esta delegação no bairro junto á avenida do Brasil muito próximo da rua Senado da Câmara mesmo junto a cidadela de Luanda. A partir desta data, começou entre eles uma luta encarniçada, para dominar Luanda. Como após a implantação do governo de transição, todos os três movimentos de libertação, tiveram suporte legal para montar as suas delegações na capital. Foi também com esse implantação que, começaram a surgir constantemente os atritos entre eles que, só eram resolvidos a tiro, mas mesmo assim, como nem a tiro eram resolvido, os tiroteios entre eles eram constantes. Vi-me entre o fogo deles algumas vezes. Sempre que tinha de percorrer o percurso entre: a Alameda Dom.João II e toda a Avenida Francisco Newton até ao bairro Cuca onde residia,eu e minha família a nossa vida corria sempre perigo o tiroteio era dum lado da faixa de rodagem, para o outro lado da dita o que, pressupunha balas em constante movimento a atravessar a dita faixa, foi uma sorte ter escapado pelo meio deste labirinto ileso. Muitas vezes inopinadamente corriam boatos qual rastilho incendiado, todos eles despertavam de imediato reflexos de fuga desordenada. Os boatos continham a mensagem de que toda agente se arrepiava só de ouvir falar, Eles estão a subir as barrocas e vem para o bairro. Durante um determinado tempo foram de facto boatos, era como se testassem a reacção dos colonos: agora já lhes posso atribuir esta designação porque eram o que sempre foram na realidade. Por esta altura estavam chegando a Angola soldados cubanos, para ajudarem o MPLA que estava em ascensão rápida rumo ao domínio da capital que seria vital para a força dominante no dia onze de Novembro. Imensas armas sofisticadas os acompanhavam. Refiro-me há principal por ser a mais comentada no meio do pessoal africano que, comigo trabalhavam na cervejeira Nocal, a dita arma tinha o pomposo nome, talvez baptizada por eles de:”Monocaxito”, e que não era mais que os célebres,”Orgãos de Estalin. Os comícios estavam ao rubro. Mas como que numa clivagem, os europeus já os evitavam. Era como se já tivessem interiorizado, por aquilo que viam e assistiam, que aquela luta já não era a deles. As ameaças de evasão do bairro que se foram malogrando,tornaram-se enfim reais e o bairro da Cuca foi no dia seis de Junho de mil novecentos e setenta e cinco evacuado dos portugueses. Na sua fuga desordenada,instintivamente concentraram-se junto ao Mónaco, centenas por ali deambularam durante todo o dia. Tinha começado a funcionar uma ponte aérea dias antes, conversei com a mulher e chegámos há conclusão tendo em vista a protecção dela e dos dois filhos menores que seria a melhor solução já que nos tempos maia próximos outra se não vislumbrava. Acorremos a uma secção de desembaraço, e ficou ali logo resolvido o problema e sem burocracias, embarcou naquele mesmo dia rumo a Portugal. O voo, foi o sétimo da ponte aérea, número sagrado desde a antiguidade, e que simboliza as sete frases proferidas por Cristo pregado na cruz antes de exalar o ultimo suspiro. Tinha para já resolvido este problema! Mas tinha ficado com outro? Onde iria dormir se o bairro onde residira, estava ocupado desde este dia e em definitivo por eles.Já de noite voltei ao Mónaco, em boa hora o fiz, pois encontrei lá o Moreira. O Moreira era um alto funcionário dos serviços de água e luz, que eu conhecia de quando lá fui também funcionário, tinha enviado também para Portugal a D.Fernanda sua mulher, ficando por isso sózinho num apartamento no 2º andar de um prédio dos Serviços existente na rua coronel Artur de Paiva ao cruzamento com a Brito Godins. Depois de dar nele alojamento ao meu cunhado Pinto e minha quarta irmã,o Pinto da LAL como era por lá conhecido,convidou-me também a mim o que aceitei de imediato. Resolvendo para já o meu problema de alojamento. Os mantimentos já escasseavam! Para me dirigir para o trabalho na empresa NOCAL tínhamos combinado os que, comigo trabalhavam no turno, esperarmos na alameda D.João II ali, tomávamos o 124 Fiat logo que entrávamos soava o grito; embora, eram cerca de cinco quilómetros, o chaufer baixava-se espreitando apenas pela parte de baixo do pára-brisas e nós, completamente ocultos e prego a fundo. Era assim durante os cinco quilómetros qual carro fantasma. Isto acontecia porque o bairro da Cuca já estava liberto de europeus. Eu mesmo ali morara na rua Curral das Freiras até há dias atrás. Desde os acordos do Alvor, que lá na fábrica tínhamos ganho um estatuto especial. Tínhamos sido chamados ao director da empresa. E a pergunta, a que tínhamos de responder, era se pensávamos ficar em Angola depois da independência. Claro que a minha resposta foi sim. Tínhamos algumas vantagens, pois permitiam que puséssemos em Portugal setenta por cento do vencimento, no meu caso dava cerca de onze mil escudos, em mil novecentos e setenta e cinco era muito bom. Sobre segurança, o director foi lacónico que, seria a mesma que para ele que a única coisa que nos podia dizer era que, as delegações do MPLA do Marçal, Sambizanga, e Rangel estavam devidamente informadas da passagem pela Francisco Newton de pessoal fabril europeu alinhado. Às horas determinadas assim sucedia. O pior, era os outros dois movimentos FNLA e UNITA, e então era normal as balas zunirem dum lado para o outro da dita Avenida, é certo que isto já acontecia desde à meses, o que prova que o ser humano é um ser adaptável, e que é mais convergente e adaptável a qualquer merda. E esta situação, apesar de trágica para muitos, estava insidiosamente a tornar-se rotineira pela bruma que a envolvia. Foi naquele meados de mil novecentos e setenta e cinco que de repente se fez luz em definitivo, deveu-se este facto a um comício realizado em Catete pelo MPLA. Aqui, terei que fazer uma ressalva: por aquilo que conheci Os trabalhadores dos campos algodoeiros de Catete e baixa do Cassange cuja actividade roçava a escravidão. Justificou o entusiasmo com que ouviram da boca do presidente as novas. Para eles, o Neto era o novo Messias. Para os portugueses que ainda lá bem no fundo da alma ainda acalentavam uma réstia de fé tudo se desvaneceu e desmoronou em definitivo. Por uma simples frase do Líder se definiu tudo. Pôs ele uma questão á turba! E os brancos que lhes havemos de fazer? Resposta pronta da turba, deitam-se ao mar. Todo este diálogo foi feito em quimbundo, dialecto falado em toda aquela zona. Estes comícios, eram facilmente traduzíveis pelos inúmeros portugueses que conheciam os dialectos de Angola. O Sabimbe também tinha essa mania comícios com brancos dizia uma coisa na zona deles dizia outra. Efeito prático deste feito! No dia seguinte depois do pôr do sol começou a ouvir-se; pela coronel Artur de Paiva abaixo e a princípio insipidamente o bater de martelos,a pregar pregos era, como se furtivamente quisessem embalar as suas bicuatas, como se temessem já não ter tempo de o fazer. Era de facto uma corrida contra o tempo! As pancadas dos martelos de princípio insípidas, começaram nos tempos que se seguiram num crescendo, como nas partituras das grandes obras musicais, andante andantino, rápido rapidíssimo, dias depois era quem mais martelava, e como uma epidemia contagiou toda a população. A debandada estava começando.Os pregos não levou muito tempo se esgotaram. E milhares de pessoas estavam deixando,apartamentos abandonados de portas abertas e totalmente mobilados. Foi por esta altura que comecei também a interiorizar o problema em mim mesmo. Estávamos agora em princípio de Agosto, minha mulher já tinha abalado há dois meses. Minha quarta irmã seguiu-lhe agora o exemplo e abalou também com os dois filhos mais novos. O Pinto, agora só, começou a convidar-me para ir á Terra Nova resgatar bens. Duas vezes aderi e por duas vezes me ia metendo em problemas. Hoje acompanhei-o á rua das Beiras nº72 na Terra Nova.Subimos a estrada de Catete até ao chamado bairro indígena,olhando para os eucaliptos que o ladeavam,vi muitos M"PLAS rastejando com tiros de metralhadora á mistura, uns jovens que estavam sentados num muro á beira da estrada,interpelaram-nos; é brancos não vão por aí,está muito quente, avançámos; mas mal chegamos á zona habitacional do bairro, logo uma patrulha fortemente armada nos mandou parar em tom ameaçador. Apercebi-me de imediato que a força em presença era do MPLA,e apressei-me a levantar o indicador e o médio da mão direita este era o sinal que usavam para simbolizarem que a vitória era certa isto nos fundiu ideologicamente com eles. Mesmo assim uns militantes diziam camarada prende eles são reaccionários. O Pinto foi fazendo o mesmo e ainda teve um trunfo, o comandante da patrulha era colega dele nos SMAE então sr Pinto isto por aqui está mau. Recomendou que não demorássemos muito tempo e deixou-nos passar. Andámos depressa no FIAT 124, chegamos rapidamente ao 72 da rua das beiras abrimos o portão e entramos,os tiros por ali eram mais que muitos, por precaução fui de imediato ás traseiras da casa e encostei a escada de encontro ao muro, em caso de emergência pôr-nos-íamos na manutenção militar em escassos minutos pois a casa distava dela cerca de 500 metros. Demos inicio á operação de resgate de bens. A mim o Pinto sugeriu-me levar o fogão, pois precisava dele, neste entretanto ele ia levando os artigos de higiene pessoal e roupas.Quando avancei para o exterior para levar o dito para o carro, verifiquei que o cenário se tinha alterado. A casa tinha um quintal com cerca de quinze metros de comprimento, por cerca de doze de largura dava-lhe acesso um portão de duas abas com cerca de três metros,era aí que o cenário se tinha alterado pois apoiados no tubo desse portão, encontravam-se agora sete negros,bem constituídos naquela época já era costume utilizarem o termo de sabotagem económica era segundo a psicologia deles aquilo que já devíamos estar fazendo, cá para mim disse ai,ai,ai, o Pinto como dono da propriedade deu-se á fala, mas eles se anteciparam! Então camarada vai embora não quer alugar a casa, o Pinto meio titubeante respondeu a casa já está alugada a um camarada vosso que trabalha nos SMAE anuíram concordando eu que me aproximei também dei origem a risos pois o fogão que na altura da fuga assava um esplêndido exemplar de pargo com batatas mas que agora totalmente coberto de miasmas que o consumiam se tinham entretanto espalhado pela minha roupa cena patética. Antes de saír dali ainda tive tempo de esconder uma pistola Walter de nove milímetros no barrote da casa do lado da manutenção, saímos dali rumo á manutenção militar chamaram-nos doidos e dali só saímos escoltados por chaimites e muitos outros carros de retardatários em fuga. Aquela casa que eu conhecia bem para ali ficou á espera do primeiro que a resgatasse como sua,estava totalmente mobilada. Este episódio foi mais um dos muitos para esquecer. Da minha parte, deixei ali assente ao Pinto que,ali não voltaria mais, e de facto nunca mais lá pus os pés. Voltámos para a casa dos SMAE na Artur de Paiva.Tanto ao Pinto como a mim ainda estava reservada a última cena da peça. O Pinto, foi uma semana ou duas depois de se desembaraçar daquele último episódio,e já altas horas da noite estava sendo contactado em casa pelo camarada Xavier. Eu conhecia-o bem, pois também trabalhei nos SMAE com eles o Xavier era desenhador e o Pinto encarregado da zona norte de Luanda da rede de água. Era sob este parâmetro que, o Xavier ia solicitar a colaboração do Pinto. Era o Pinto profundo conhecedor de todas as válvulas de segurança da rede. O Xavier era um alto quadro do MPLA e naquela altura estava em marcha a expulsão definitiva da FNLA de Luanda, mas havia um senão... o ultimo efectivo ainda numeroso de homens, tinha-se refugiado dentro da Fortaleza de S.Julião da Barra, depois de muitos dias de combates e bombardeamentos, daqui não saio, daqui ninguém me tira, esqueceram-se todavia que, o camarada Xavier era um homem muito esperto e acima de tudo muito inteligente, pois neste imbróglio que lhes estava montado a missão do Pinto era tão só fechar a válvula de água que abastecia o local. Andou naquilo até altas horas da madrugada e isto sob intenso tiroteio. Trouxeram-no a casa de madrugada depois do serviço executado. Quando á noite depois de chegar da Nocal local onde trabalhava, falei para ele! O Pinto não me respondeu votei á carga a mesma coisa o homem tinha os olhos posto num ponto algures no espaço e não discernia mais nada a não ser isso o que quer que fosse. O homem estava naquilo que normalmente se chama em transe mas porquê? vinte e quatro horas depois começou a balbuciar uns monólogos, tenho que me ir embora, e repetia isto vezes sem conta. Meteu-se lhe na cabeça que o Xavier o andava a espiar. Quarenta e oito horas depois estava a embarcar para Portugal nunca mais voltando a pisar solo de Angola, terra onde nascera. Praticamente ainda não tinha chegado a Portugal, e já os pretos do FNLA estavam abandonando a fortaleza com bandeiras brancas resultando o facto do Pinto ter cortado a água que abastecia a fortaleza e como sabes naquele clima a falta de água é mortal. Renderam-se todos! Parece-me no entanto que, o futuro exercito de Angola os absorveu todos. O terror que o Pinto sentia depois da operação, deve-se ao facto de o Xavier ser um alto quadro que exercia já o alto cargo de comandante da DIZA polícia secreta. Por isso os medos do Pinto embora pudessem ser imaginários, tinham à época uma forte razão de ser reais.

terça-feira, julho 31, 2007

Hoje vou dissertar sobre mim mesmo

Decorria o ano de mil novecentos e setenta quatro,já tinha dois filhos angolanos,o Jorge Manuel e a Ana Cristina. De vez em quando questionava-me sobre o futuro deles. Naquela noite,durante o meu turno de trabalho,entre as duas e tres horas da madrugada, o trabalho decorria descontraidamente. Tinha as tinas de preparação do mosto para a cerveja Nocal todas em actividade.A tina final fervia trinta e dois mil litros de mosto prontos a descarregar para a cave de fermentação,a tina de filtração libertava o seu líquido límpido para o depósito de retém, Uma estava na fase da libertação da maltose e dos amidos da cevada com que se fazia aquela bebida tão estimulante,a quarta preparava o gritz de milho que a seu tempo seria misturada com o malte da terceira neste momento o que tinha em preparação era gritz de arroz pois era com arroz que se preparava a super loira,tão acariciada ao tempo.Percebeste bem eu disse arroz.Estando tudo a correr tão bem, subi ao terraço da fábrica para um pequeno periodo de descontracção.Era ali que retemperava forças e que me fazia suportar a faina, na sala o calor das caldeiras, junto com o do clima era sufocante.Aqui no terraço uma ligeiríssima brisa corria vivificante. A noite tombando desenhava no horizonte silhuetas recortadas da ilha de Luanda ao longe, mais perto o bungo com suas fabricas de farinha de peixe,onde as luzes tremulinavam. Tirando o ligeiro ruido da chaminé que, no seu impuxo para o exterior do vapor e do ar quente das caldeiras, não fora isso o silencio era mortal.E era assim há seis anos. Mas naquela noite inopinadamente, umas luzes multicores iluminaram o céu ao longe, e mais se sucederam noutras direcções matutei o que seria aquilo àquela hora da madrugada? numa coisa eu acertara; aquilo era fogo de artificio, mas porque àquela hora. Desci para as fainas rotineiras.Comentei com os colegas da cave, mas o mistério pressistiu. Tambem não sabiam nada.


19 de Fevereiro de 2008
Estava em pulgas,e assim que saí do turno, por volta das cinco horas da madrugada; logo me foi desvanecida a dúvida, pelos colegas que nos vinham render. Em Lisboa tinha havido um golpe de estado. Ora estava explicado o mistério do fogo de artificio nocturno.Desci à cidade e juntei-me à turba que já por lá andava em, comemorações desde de madrugada.O dia da semana era uma quinta-feira,o do calendário vinte e cinco de Abril,de 1974.Aproximavam-se grandes mudanças,mas naquela altura não discernia nem atinava quais, tambem não interessava muito a hora era de comemorar e era isso que eu fazia naquele momento.já tarde regressei a casa, e vejam só senti ansias de manifestar essa explosão, e escrevi à minha mãe uma longa carta onde inaltecia o facto. Não vivera eu por acaso, naquela època complicada, na qual meu pai sentia necessidade de nos andar sempre a dizer? Rapazes quando alguem estranho na rua vos fizer perguntas; respondam sempre não sei, não vi não estava lá etc etc.A partir daquela altura, a vida continuou a correr como até ali. Mas... começavam a notar-se nuances no dia a dia, quási imperceptíveis para um morendengo, mas não para um residente com vinte e três anos de presensa no território. mas, na verdade, os primeiros a mostrar sinais comportamentais muito ténues sobre o assunto foram os naturais. Nós só ganhámos em aprender com eles,e eu assim fiz. O pessoal que comigo formava a equipa que na fábrica trabalhávamos nos mesmos períodos horários,falávamos abertamente no que estava a acontecer e nas transformações radicais que aí advinham. Era, de facto, um periodo de tempo com algo de poetico. Para mim,

avizinhava-se rápidamente, um período de férias em Portugal. E isto, por força do contrato que tinha com a empreza, onde laborava. Em Julho, iria pois, após cinco anos de serviço, gozar umas férias. E depois logo se veria ! Era, mais ou menos assim que pensava. Mas a realidade começou a sobrepôr-se. E naquele meados de julho, aconteceu aquilo que já se vinha adivinhando. Um taxista branco, foi degolado nos suburbios. Este evento, acirrou os animos e dali para frente, não saberia como seria. Foi por causa deste acontecimento que, o governador Silvino Silvério foi retirado do cargo. E para Angola foi a partir daquela altura, nomeado um alto comissário. Por isso esquece! E quando a data chegou, lá fui de férias há metrópole como então era conhecido por aquelas bandas Portugal. Por isso por agora era melhor,não me preocupar e deixar correr o marfim., lá fui com a mulher e dois filhos, gozar umas férias após cinco anos ao serviço da empresa. Quis o destino que a data do evento fosse contemporânea a esta viagem. Iria pois assistir ao nascimento in-vitro, da nova ordem que estava a despontar por aquelas bandas, e com muita curiosidade para saber as implicações que teria na terra em que vivia há vinte e três anos. Ofereci aos meus filhos pequeninos, uma visita ao jardim zoológico. Mais tarde ao Portugal dos pequeninos e museu dos coches e a partir daqui nicles. Comecei o meu curso intensivo de politização. O que via ainda não me parecia hostil, mas aqui e ali já se podia vislumbrar algumas nuances do que poderia acontecer, mas ainda era indiscernível com clareza. Pessoas conhecidas iam dizendo como o tinham dito no ano anterior na estação de S. Apolónia quando cá viera para o 1º congresso de combatentes no Porto. Venham embora daquela terra diziam-nos eles, aquela merda para nós acabou. Este ano de setenta e quatro, e o de setenta e três não lhes dei ouvidos. Não acreditei que fosse molestado, sempre trabalhara por conta dos outros assim como eles, e nos serviços municipais de água e luz começara como simples servente. Naquele tempo alguma vez viste um servente europeu em África, deves de estar doido de certeza. As greves reivindicativas já eram mais que muitas, a gloriosa luta dos trabalhadores portugueses, estava ao rubro, rumo ao alvorecer duma era nova assim como a gloriosa luta dos trabalhadores angolanos rumo à sua libertação das garras da exploração e à sua liberdade total.
3 de Fevereiro de 2009 Estava renitente em deixar a terra,à qual tinha dado a minha juventude. No dia aprazado,para ela rumei, decorria.o mês de Novembro 1974 a única novidade é que por uma questão de precaução, deixei em Portugal a família. Em suma regressei só. Morava agora sózinho, na casa onde residia havia já quatro anos. Ficava a dita na rua Curral das Freiras mesmo encostada á Sigma, e era uma casa de primeiro andar, nunca fora totalmente mobilada e pelo andar que a carruagem levava perdera-se para sempre essa possibilidade. Mobilada "mal"no primeiro andar, mas no rés do chão totalmente oca, vazia, até fazia eco ao falar, é possível que, dada a carga dramática que envolveu aquelas divisões na parte final da derrocada, que, ainda hoje tal como outrora se ouçam as vozes aflitas dos antigos residentes apelando aos gritos! Trás a menina que eu levo o miúdo! A turba, está subindo as barrocas para aqui. Foi assim qual rastilho incendiado que o boato se propagou. Pouco mais de um mês, foi o tempo que levou até começar a receber telefonemas de Portugal. Queixava-se a mulher que não suportava o ambiente lá por aqueles lados, para ela não devia de ser fácil pois viera para Angola com um ano de idade, ainda andava a pensar, não atinando muito bem dada a situação, quando num ápice, me telefona para a ir buscar ao aeroporto de Luanda. Agora é que ia ser posto à prova pois a situação estava num crescendo de instabilidade. Estávamos no natal de mil novecentos e setenta e quatro. O ano de mil novecentos e setenta e quatro, escoava-se rápidamente. Só esperava que, o que se lhe seguia troucesse melhores augúrios. Mas que havia no horisonte da história nuvens bem carregadas, lá isso havia.

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sábado, abril 28, 2007

O Simões

ajarrachinesaChegou a Luanda quase há dois anos fugira de Leopoldeville e da confusão no tempo do Lumumba e fora uma boa e nova aquisição para os Serviços. Fugido do pântano do Congo ex belga com toda a família, empregou-se como eu nos SMAE. Era um electricista de alta tensão que,
de imediato se cotou num bom patamar profissional. As coisas de principio começaram de mansinho, e sem saber como o homem, começou a simpatizar com a minha maneira de ser profissional e pessoal. Começou aí um período áureo de aprendizagem intensiva. O Simões ensinou-me a arte de electricista como só se ensina a um filho. e para onde ia lá ia eu como seu coadjuvante, postos de transformação e subestações era com ele. Angola em mil novecentos e sessenta e cinco crescia a ritmo alucinante e eu regozijava com o facto, como se o que estava em marcha tivesse a minha mão. Era um ingénuo, e politicamente era um zero à esquerda, erros de ter nascido em sistema tapado e continuar assim pela vida fora. Angola! Digo-o aqui solenemente; deve-me muito. e mais a mim do que eu a Ela. O tempo corria,e dois anos depois de ter entrado para este serviço conseguira fazer no ensino nocturno que, frequentava e de uma assentada, dois anos em um óptimo não é! no ano seguinte seguira para a secção de ciências dos cursos do liceu,até parecia gente rica.Prossegui neste ritmo durante toda a década de sessenta ; ás vezes sentia que me ia abaixo e aparecia-me uma espécie de arrependimento,por não ter abandonado Angola com o mano Domingos, mas depois levantava a cabeça e seguia em frente pensando está feito, está feito. Tornei-me quase um profissional perfeito.Conheci toda a Luanda,Comecei como servente,passei a operador de centrais eléctricas,passei pelo piquete à rede publica. Este foi um período bem interessante! Éramos chamados muitas vezes a horas mortas,e algumas vezes não havia motivação para tal.Mulheres em que o marido trabalhando de noite as deixava em casa sósinhas e que por qualquer motivo entravam em pânico e nós funcionávamos como damas de companhia,via shows com mulheres frívolas, quando éramos chamados para boites.Oferta da casa dizia o gerente. Porque era assim que eram conhecidas as meninas,agora conhecidas por strepers.Depois desta passagem por várias secções dos Serviços fui de facto posto definitivamente na rede electrica quinta secção. Foi nesta data que criei família, que nasceu o meu filho Jorge e a filha Ana,tirei a carteira profissional de electricista. Depois de ter mulher e dois filhos comecei a notar lentamente que o dinheiro não chegava. Porque será que onde estiver a bandeira portuguesa os trabalhadores não saem da cepa torta. Gostava demais deste trabalho mas, a realidade se estava a sobrepor a esse facto. desde que chegara a Angola, há quinze anos , pela primeira vez quase me podia dar ao luxo de escolher emprego. Aconteceu finalmente ! E em mil novecentos e sessenta e nove mudei de emprego, Fui para uma fabrica de cerveja que abrira recentemente Ganhar três vezes mais .

sábado, fevereiro 17, 2007

drakemberg: Os Ventos e os contra Ventos N� 1

O Trauma

quarta-feira, novembro 29, 2006

hoje fui chamado ao director




Cingular Phones


Contador de visitas

Fora chamado ao director delegado engº Carvalho Sanches. Na vespera desse dia,houvera uma grande avaria na zona da Francisco Newton e a jomar o local viu-se depois ser precisamente junto ao posto de distribuição da Pameli,um cabo de distribuição de baixa tensão de cento e vinte m/m tinha ardido totalmente deixando sem luz uma vasta area residencial e industrial. Por isso urdia reparar a avaria celeremente, naquele dia eu junto com o pessoal serventuario africano,demos o máximo e isso deve de o ter tocado,pois eu era o unico branco em Angola e mesmo em Africa, cuja ascenssão estava começando pelo degrau mais baixo da escala social isto é servente. Por isso quando me apresentei à secretária que me fez a inscrição para a audiencia,estava muito apreensivo! esse nervosismo descarregui-o andando para tras e para a frente no corredor de soalho,que dava acesso ao gabinete do Delegado, a cada passada as tabuas rangiam ligeiramente,do meu interior emanavam ordens como tem calma pá; alguma vez te deixaste ir abaixo relax.
Mais BlogsA secretária abriu a porta e disse! Senhor Soares faça favor. Entrei!O homem que tinha á minha frente,impunha respeito! Tinha um farto bigode atemorizador, mas tambem enganador pois assim que começou a falar logo o ambiente se desanuviou. Já o fora oito meses antes, quando lhe fora apresentado no cinema.O homem como autoridade máxima daquele serviço, a quem todos os funcionários estavam subordinados para o bom e para o mau, no que a mim me diz respeito foi parentório e falou?Sr Soares mandei-o chamar para lhe dizer que reconheço que a sua situação nestes serviços não é assim muito lisonjeira nem indiciadora duma previsão optimista para realização pessoal. Não é pois algo que seja do interesse destes serviços, manter-lhe a situação actual, pelo que como representante máximo destes serviços lhe faria a seguinte sugestão, que poderá mudar o seu estatuto profissional nestes serviços, e que resume ao seguinte: Você faria bem em matricular-se numa escola profissional para angariação de conhecimentos técnicos que de certo lhe virão a ser muito úteis num futuro próximo. Estes serviços abrem com muita frequencia concursos internos,e é a um desses concursos que o Sr poderá depois candidatar-se. Agradeci ali mesmo com a promessa de que iria dar andamento à sugestão e assim foi. Não olhei para trás! E nessa noite dei comigo a magicar como consegui-lo?Teria que vencer alguns contratempos, como por exemplo vencer a distancia que me separava do centro da cidade e o bairro Sarmento Rodrigues. O primeiro passo foi matricular-me num colègio que dava cursos nocturnos pós laboral, e que ficava ao fim da general Carmona no cruzamento com a Brito Godins e a rua das Ingombotas. Este passo estava dado faltava um outro não menos importante que este,conseguir transporte para o bairro todos os dias depois das zero horas.E isto consegui-o na Lusolanda comprando lá, a prestações muito baixas uma motorizada NSU. E lá comecei a trabalhar e estudar. E com muito entusiasmo lá fui,passou-se um ano o estudo estava a correr como o previsto. Nove meses depois abrira um concurso para operadores de Centrais e subestações eléctricas, assentei arraiais na antiga central da SONEF. Esta central que recebia a corrente das Mabubas,passou mais tarde a recebê-la tambem de Cambambe. para chegar aqui, e era pouco! Pusera já em prática o que aprendera na escola nocturna onde andava e dentro do escalão que frequentava, era bom em matemática! E isso me serviu muito.



Angola estava numa de emancipação,e eis o motivo da guerra, já que o colonizador a isso se opunha. Mas estava em curso um fenómeno de dimensões gigantescas,e tem piada que o mesmo era mais benéfico,aos povos que pediam a emancipação, do que ao colonizador. Fez-se mais em Angola em treze anos de guerra, que nos quinhentos anos que durou a prezensa portuguesa,por aquelas latitudes.Os angolanos terão que concordar comigo ao menos nisto. E eu sinto orgulho de ter colaborado! Sou assim,sabieis! Ligaram por estradas asfaltadas todas as capitais de provincia cerca de vinte mil kilómetros, com as concumitantes pontes para passar os cursos de água, e se eles eram bastantes, centenas mesmo.Estavam a nascer fábricas por todo o lado,E eu estava a assistir a tudo isto.Meu irmão Domingos fora-se embora em 1960,parece que profetizara para si mesmo o que estava para acontecer. Dissera-me ele na altura : Claudino anda comigo embora desta merda, lá é que é a nossa terra !Isto aqui não vale uma merda, esta terra é para pretos e só cheira a merda seca e mijo por todo o lado. Não quiz seguir o conselho dele e fiquei! estourara a guerra pouco tempo depois, mas como sempre acontece a um fenómeno, opõe-se sempre outro de sinal contrário cumpriu-se pois a regra, O outro fenómeno, era um Bum nunca antes visto por aquelas paragens. E a primeira coisa que rebentou pelas costuras, foi a rede eléctrica de Luanda. Uma rede que estava montada nos moldes coloniais um candeeiro aqui, outro alem,que logo deram lugar em poucos anos a avenidas largas arborizadas e com muita luz. Era impressionante! Por isso a rede electrica tinha que acompanhar o bum. Nessa època fora-me dado a incumbencia do control de todos os postos de transformação e sub-estações de Luanda, E isso consistia: em nas horas de ponta, percorrer um sector dos mesmos para controlar os picos da intensidade que por ali passava. A intensidade de corrente é como a quantidade de água que passa num tubo ali, mede-se em metros cúbicos aqui, em amperes hora. Este control era muito importante para medir as prioridades das ampliações da rede nas zonas criticas. Quando visitava um posto e mal abria a porta um bafo quente me atingia o que indiciava um ponto de rotura a qualquer altura, em quase todos os postos os amperímetros grilavam. Era pois entre as dezoito e as vinte horas que o material era posto à prova. Percorria toda a Luanda a pé, desde a Cuca ao Bungo,da marginal até ao departamento maritimo na Ilha de Luanda, Alto da Maianga Prenda, e Samba, bairros populares, um e dois e todos os musseques. Auscultei o bater do coração de Luanda, na figura da sua rede electrica e quantos esforços tiveram que ser feitos para acompanhar o ritmo. Isto passava-se em mil novecentos e sessenta e tres.

segunda-feira, outubro 30, 2006

O emprego vai de vento em popa

Este emprego me foi integrando lentamente num modus vivendi totalmente novo. Era aliciante, e um desafio permanente. Ganhava trinta escudos diàrios, dias úteis sòmente,gastava no paga já assim se chamava popularmente o machibombo do bairro popular,ou do monhungo,um escudo e cincoenta centavos por viagem. Bom era preciso ter optimismo para lidar com a situação.Mas sei que fiz bem; aliás muito bem mesmo,não dava para viver,é certo! Mas sei,que me abriu portas que sem esta pujança me continuariam fechadas.

terça-feira, setembro 19, 2006

O machimbombo do monhungo ou o paga já


Logo que arranjei este emprego deixei a pensão do meu amigo Vitorino, e mudei-me lá para cima para os bairros populares. Este era pois,o meu transporte diàriamente para o bairro Sarmento Rodrigues junto ao bairro popular um. O local, era muito ruidoso dado ficar a cerca de duzentos metros da embucadura norte da pista do aeroporto de Luanda a que chamaram, de Craveiro Lopes. Era um fardo diário, ter que fazer os cerca de doze kilómetros até casa. Saia do meu serviço ao fim da tarde, descia a Avenida dos Combatentes até ao Largo do Quinaxixe, não falhava lá estava o monhungueiro,há espera dos trabalhadores que o demandavam,o bilhete era taxa única quinze tostões assim como só tinha a porta de entrada pela frente. Em caso de incendio não sei como seria! O cobrador angolano dizia, e repetia paga já, paga já. Aquilo era entrar, até não caber mais, uma autêntica lata de sardinhas,o ambiente era sufucante, não só pelo calor ambiente, mas tambem, pelo forte cheiro a catinga no interior do autocarro eram as permissas de África. O branco tambem catingava, para nos agarrarmos tinhamos que agarrar o tubo que corria no tecto do mesmo ao longo de todo o seu comprimento. Olhando para a cova do meu braço via nitidamente o sedimento acumulado ao longo do dia nos pelos da mesma e que com a claridade tomavam a côr do vinho tinto e que engrossavam o pêlo em quatro ou cinco vezes mais, era dalí que emanava o odor. Agora vê o que é multiplicar esse odor pelos cerca de quarenta passageiros. Eu era o único europeu no meio da tribo e com o tempo passaram a considerar-me um deles. Era fantástico pois deferenciavam-me dizendo; entra branco,era como que um selo de garantia, como se me quizessem dizer entra que ninguém te faz mal branco. Percebes a nuance difusa do conceito!

quarta-feira, maio 31, 2006

Enfim um emprego

O meu amigo Anjlo como me tinha prometido conseguiu-me uma entrevista com o Director dos serviços onde era funcionàrio. No dia aprazado fui ao cinema dos SMAE;
esta sigla designava; Serviços Municipalizados de Agua e Electricidade. Foi aí que tomei conhecimento com o Engº.Carvalho Sanches,pois fui-lhe apresentado pelo meu amigo Anjlo. Propôs-me que no dia seguinte fosse aos serviços administrativos falar com ele; o tom era fortemente encorajante e esperançoso. Não falhei. Enquanto esperei pela audiência, andava para um lado e para outro no corredor de madeira que, rangia ligeiramente sempre que poisava o pé. A porta acabava de se abrir neste momento e uma voz de dentro disse pode entar. Lá estava agora em frente àquele bigode farfalhudo,quàse que poderia descrever o mobiliàrio do gabinete, mas estava preso ás palavras do homem. Dissertava ele que, a altura não era a melhor,que os quadros estavam cheios mas que talvêz houvesse uma hipòtese de entrar,e que mais tarde se haveria de arranjar algo com mais futuro. Essa hipòtese era nem mais nem menos que, começar pelo escalão mais baixo da função pública, mas nós estàvamos em Àfrica e o escalão mais baixo em Àfrica há època era servente e servente naquele tempo segundo o padrão da raça colonizadora eram os pretos, percebes? Que pensas que fiz? Que me neguei? Estás muito enganado! Disse ao Director aceito! Acho que ele não esperava a minha resposta afirmativa pois mexeu-se na cadeira, mas não se desmanchou. E assim no dia dez de Dezembro de 1962 iniciei a minha actividade como serventuàrio nos Serviços Municipalizados de Àgua e Electricidade da cidade de Luanda. Eu sabia no meu íntimo que eles não iriam aguentar.Entrara no quadro do pessoal serventuàrio, com o salario de trinta escudos, precisamente o mmesmo que ganhavam os duzentos ou trezentos africanos que, exerciam semelhante categoria; nem dava para pagar o que comia em termos europeus percebes.Ao fim do mes, para receber os setecentos escudos, ali tinha que estar junto com os africanos esperando, era o único branco entre eles, ali! E talvez em toda a Angola ou até mesmo em todo o continente,eram eles os meus colegas de trabalho, ganhava precisamente o mesmo que eles, mas não me feriu nem um pouco. Chamarem-me racista, colonialista e explorador,anos depois fez-me rir a bandeiras despregadas.O tesoureiro que efectuava os pagamentos era nítido o seu mau estar. Mas se não se habituasse o problema era dele. Comecei a estudar de noite logo que pude. Pensava cá para mim; logo que abra um concurso interno logo concorrerei. Mas para um europeu ao tempo a cena não era nada comum. Mas para mim, bastava pensar na fome que passara antes para logo me erguer com mais força. É curioso havia lá um preto já velho que por artes mágicas se dava muito bem comigo,tão bem que manifestava a sua admiração para comigo presenteando-me com frequência com uma coisa que para eles devia de ser tida em alto grau de consideração; nunca o saberei ao certo. Trazia de casa embrulhada em casca de bananeira batata doce cozida e fermentada,penso que ao ar livre,com que alegria o velho Mateus me oferecia a Kikuanga, assim se chamava o pitéu e eu comia sem cerimónia. Estendemos muitos milhares de metros de cabo eléctrico por Luanda inteira desde a Ilha ao bairro Popular

sábado, abril 01, 2006

A Joia da Coroa de Portugal

Diziam que Lourenço Marques era linda Mas a Joia da coroa era Luanda. Esta Luanda que eu vi crescer e acompanhei até se transformar na linda cidade que aí vês.O local em que a partir de agora residia, ficava ao cimo da General Carmona,rua essa que neste momento descia.Cruzava ao fundo com a Brito Godins descia até às Hingombotas e ia desaguar calmamente na Mutamba,daí passàvamos pelo Carvalho e Freitas viràvamos à esquina e desaguàvamos directamente no Biker.Havia na baixa de Luanda, quatro cafés emblemàticos. O Polo Norte, o Gêlo, a Portugàlia,e o Biker. Cada um tinha o seu estilo. Mas, o Biker, era onde se faziam amigos do mesmo rol, pois quando se parava por lá, algo não corria bem na vida de cada um. Era lá que paravam os vadios,os desempregados,os paneleiros, as putas,os drogados,a liamba; circulava livre, era mesmo vendida pelas ruas assim como o tabaco de mascar em trança. Era Luanda no seu apogeu colonial. Era lá que me encontrava com o Peralta o lírico,o Rei de Sá cantor de tirolês,os irmãos Penas traficantes de Pantampô e pólvora, que se ia buscar ao alto mar,o Walter o cigano,e o Araújo compositor impressor, do Diàrio de Luanda. Aqui no Biker a bola de berlim estava garantida, era a entreajuda a funcionar. Os mil paus que encontrara no bolso do kispo, estavam no fim era assim que, se enfrentava a diversidade! Com calma e passo sereno, regressava sempre para cima entusiasmado e pronto a enfrentar mais um dia. Hoje, quando subia a General Carmona e quando passava pelo Nicola o Anjlo que lá se encontrava com amigos me chamou; havia muito tempo que não o via,ficou pesaroso e triste depois de saber a minha situação,deixou algo no ar como uma rèstea de esperança, que ia falar com uma pessoa e que, logo me daria resposta.Avancei dali para casa a assobiar tal era o fervor que irrompia do meu interior, isto eu não sentia há muito tempo.
Portugal não cumpre os preceitos democraticos em relação a 10% da sua população total refiro-me aos espoliados das antigas colónias.Sou pois um proscrito no meu pais há trinta e dois anos que sofro os efeitos da exclusão

quinta-feira, março 30, 2006

A Luanda agitada aí estava


O destino aí estava. De barba feita,rejuvenescera! A roupa cheirava mal! Mas se tudo me correr,como eu espero que corra, tudo se normalizará, até ter dinheiro para renovar o cenário. estava otimista! O Vitorino e sua pensão onde já estivera outrora,abrir-me-ia as portas. Isto era uma certeza! Era meu amigo.Logo que arranjasse emprego pagar-lhe-.ia.Conversei muito com ele, a mulher, as tres filhas e com todos os hóspedes presentes.Naquela noite dormi um sono tranquilo como há dias não acontecia. Mas antes, na casa de banho lavara a roupa pois não tinha outra e esta cheirava muito mal.Tive no entanto uma grata surpresa no pequeno bolso do casaco uma aspereza despertou a minha atenção e ao indagar deparei com uma nota de mil escudos,com o Américo Tomás a olhar para mim. nunca gostei tanto de ver o homem como daquela vez. Estava preparado para enfrentar o touro da vida.Aquela nota, só podia lá ter sido posta pelo amigo que me racolheu em plena tormenta no Bailundo.No dia seguinte saí para a rua disposto a sondar o real ponto da situação. E onde melhor o fazer, senão,uma incursão ao Biker,Portugàlia e Gêlo onde me reunia diàriamente com os meus amigos.